Lipoproteína(a): O que você precisa saber sobre este fator de risco "escondido"
Revisão Médica: Dr. Salomão Alcolumbre
Cardiologista - RQE 1024
Embora o colesterol LDL (o "colesterol ruim") receba a maior parte da atenção, a ciência médica identifica agora a Lipoproteína(a), ou Lp(a), como um marcador crucial para entender o risco real de infarto e AVC. De acordo com a nova Diretriz Brasileira de 2025, este exame é essencial para uma avaliação cardiovascular completa.

O que é a Lipoproteína(a)?
A Lp(a) é uma partícula semelhante ao LDL, mas possui uma proteína adicional chamada apolipoproteína(a). Esta estrutura confere a ela características que aumentam o risco para o coração:
- Aterogênica: Promove a formação de placas de gordura nas artérias.
- Inflamatória: Estimula processos inflamatórios nos vasos sanguíneos.
- Pró-trombótica: Pode dificultar a dissolução natural de coágulos, aumentando o risco de trombose.
Por que medir a Lp(a)?
Ao contrário de outros tipos de colesterol, o nível de Lp(a) é 90% determinado pela genética. Isto significa que a dieta, o exercício e até os medicamentos comuns (estatinas) têm pouco ou nenhum efeito sobre os seus níveis.
Como os níveis permanecem estáveis ao longo da vida, a diretriz de 2025 recomenda que todo adulto deve medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida.
Quem deve ter atenção redobrada?
Embora o teste seja recomendado para a população geral, ele é fundamental para pessoas com:
- Histórico de doença cardíaca precoce na família.
- Diagnóstico de Hipercolesterolemia Familiar (HF).
- Estenose da válvula aórtica (calcificação da válvula).
- Pacientes que sofreram eventos cardiovasculares, mesmo com níveis baixos de LDL.
Valores de Referência e Diagnóstico
A diretriz prioriza a medição do número de partículas (em nmol/L) em vez da massa (mg/dL):
- Risco Aumentado: Níveis superiores a 50 mg/dL (ou 125 nmol/L).
- Risco Muito Elevado: Níveis acima de 180 mg/dL (ou 390 nmol/L) são considerados um risco marcadamente elevado, comparável a doenças genéticas graves.
Existe tratamento?
Atualmente, não existem medicamentos aprovados especificamente para baixar a Lp(a), embora novas terapias genéticas (como silenciadores de RNA) estejam em fases avançadas de estudo.
A descoberta de uma Lp(a) elevada permite ao médico ajustar a estratégia de prevenção:
Controle Rigoroso: Intensifica-se o controle de outros fatores, como o LDL-c, a pressão arterial e o diabetes, para compensar o risco da Lp(a).
- Investigação Familiar: Como a causa é genética, recomenda-se que familiares de primeiro grau também façam o exame (investigação em cascata).
Artigo fundamentado na Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025.